Desmistificando o Arcano A Morte

Sei que é estranho e talvez mórbido, mas, a verdade é que o arcano A Morte sempre exerceu especial fascínio em mim. A figura do esqueleto segurando uma foice é autoexplicativa. É o único arcano cujo nome é suprimido. O grande esqueleto encapuzado segurando a foice é uma imagem que impacta, que assusta, intuitivamente relacionada ao medo mais primário da existência.

Segundo as antigas tradições místicas, os nomes sagrados não devem ser pronunciados em vão. Tamanho o medo e respeito que ela desperta, evitava-se pronunciar a palavra ‘morte’ a fim de não chamar sua atenção.

A exaltação à juventude tão presente em nossa cultura fez parecer feio e proibido os temas do envelhecimento, da doença e da morte. Temos a perspectiva de que a morte é o irreversível e inevitável fim de uma existência. Tal visão superficial nega a importância que ela possui para a vida.

Dizia-se que os Deuses, a quem tudo era permanente e infinito, invejava a condição mortal dos homens. A ideia de finitude e, portanto, da transitoriedade, permite que todo tormento tenha fim, “que tudo passe”!

Ela está presente em cada processo de transição. Quando o bebê aprende a andar e, depois, quando a criança se torna jovem e o jovem adulto. Quando se diz adeus aos tempos de escola e olá para a escola da vida.

A morte é a mesma energia que gera a vida. É o poder de transformação. Para que algo se transforme, uma parte precisa ser renunciada. Então, quando a morte surge em um jogo ela geralmente anuncia uma nova fase. Uma renovação

As pessoas temem a transformação porque não estão disposta a abdicar de antigas estruturas. Agarram-se a situações pouco favoráveis ou mesmo tóxicas porque temem o desconhecido.

Em questões de relacionamento, A Morte é uma carta temida, pois, pode indicar ruptura. No entanto, a experiência de consultório me fez entender que ela nem sempre indica um término.

De acordo a posição que ocupa no jogo e as cartas que a acompanham, A Morte pode comunicar algo favorável como, por exemplo, um noivado ou casamento. Afinal, o casamento representa a “morte” da vida de solteiro, a transformação de um estado civil para o outro. Ela também pode indicar o fim de uma crise (no relacionamento, na vida financeira e profissional, na saúde).

Um dado interessante sobre este arcano é que ele pode precipitar acontecimentos ou atrair o inesperado. É uma carta rápida, assim como são a carta do Carro e os Cavaleiros (todos).

Para a questão financeira e profissional ela pode indicar perdas e a necessidade de “cortar a própria carne”.

O esqueleto é a essencialidade, a simplicidade e a pureza. Num jogo sobre situação financeira, A Morte anuncia que é tempo de enxugar. Na vida profissional, pode anunciar alguma mudança no ambiente de trabalho, uma promoção ou transferência ou alteração de empregadora. Mal posicionada pode indicar demissão.

Nas questões de saúde, ela pode indicar problemas nos ossos, perigo de acidentes e, em alguns casos (raros), indicar doenças graves e a morte física. A situação mais comum, no entanto, trata da necessidade de mudar hábitos e comportamentos.

Dieta inadequada, falta de exercícios, falta de diligência com exames e medicamentos, ausências ao médico podem justificar a presença da carta da Morte numa tiragem sobre saúde. É um alerta para que o consulente seja pontual a fim de evitar o surgimento ou agravamento de alguma doença.

 

A carta da Morte é um divisor de águas. Ela representa eventos que abrem caminho para algo maior . Por isso, ela merece todo o respeito e atenção.

O (re) nascimento é um processo doloroso. O bebê luta para nascer, para irromper a escuridão e encontrar a luz. A vivência da carta da Morte é tudo, menos leve. Ela nos abre para situações que desafiam os apegos a fim de sutilizar a forma de lidar com o mundo e consigo mesmo.

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Fontes consultadas

A Roda da Vida: memórias do viver e do morrer. Kübler-Ross, Elisabeth M.D. Trad. Maria Luiza Newlands Silveira. Ed. Sextante: Rio de Janeiro, 1998

Elementos do Tarô. A. T. Mann. trad. Angela Perez de Sá. Ed. Ediouro: Rio de Janeiro, 1995

 

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Especial: O Tarot Halloween

Inspirado na celebração folclórica americana, o Tarot Halloween é uma alegre associação entre o lúdico e o assustador. O Jack O’Lantern – a típica cabeça de abóbora das decorações de Halloween – une-se a outras criaturas da noite, como vampiros, assombrações e monstros em uma festa alucinante.

Para ilustrar cada cena do tarot Rider-Waite-Smith, Kipling West usou e abusou das cores clássicas do Halloween – o preto, o violeta e o abóbora – conferindo um efeito alegre, multicolorido e, ao mesmo tempo, sombrio.

Somos convidados a espiar a festa através dos olhos de um gatinho preto – um expectador ativo como é o próprio consulente.

Os naipes dos arcanos menores foram substituídos de maneira muito interessante, a fim de melhor incorporar os ícones próprios da celebração. O naipe de ouros, relacionado ao elemento terra, foi substituído pelas abóboras – os frutos da terra. O naipe de espadas que se relaciona ao elemento ar foi substituído pelos morcegos voadores. O naipe de paus foi substituído pelas figuras endiabradas conhecidas como imps, remetendo à clássica ideia do inferno escaldante. O naipe de copas foi substituído pelos fantasmas ou almas penadas devido à sua relação com a matéria sutil ou espírito.

O Tarot Halloween é um deck interessante para aqueles que como eu sentem-se atraídos pelo lúdico e incomum. Mas, como outros tarôs temáticos, as ilustrações podem limitar a compreensão de determinado arcano porque traz a perspectiva particular do ilustrador e do autor.

Em alguns casos é possível perceber modificações sensíveis do ponto de vista do Rider-Waite-Smith, a exemplo do que ocorre no arcano 4 de Ouros – o “Four of Pumpkins” (4 de abóboras). Veja-se:

4 de ouros no Tarot Haloween e no RWS

No Rider-Waite-Smith (à direita), o 4 de ouros é representado por um homem sentado sobre um baú. A diadema e outros adereços sugerem que ele possui posição privilegiada, podendo ser um nobre ou um burguês. A expressão facial da figura gera dupla interpretação. A primeira traz a ideia de um estado defensivo, no qual o homem sente que pode perder suas riquezas a qualquer momento e, no afã de protege -las, senta em cima do próprio tesouro.

O 4 de Ouros no tarot Halloween mostra a semeadura cuja mensagem, segundo o libreto, é “cultivar um sentimento de gratidão e fazer o melhor uso de sua vantagem”.

Embora aparentemente não exista ressonância com o deck original, trata-se de uma perspectiva diferente da mesma mensagem. Enquanto o RWS enfatiza uma fragilidade (insegurança, desconfiança ou insatisfação), o Tarot Halloween mostra como proceder. Ter gratidão é viver na graça e para viver na graça é preciso receber não só para si.

A escolha por uma interpretação mais positiva tem a ver com a ideia de brincar com o assustador – o que é o próprio espírito do Halloween.

Obviamente, o conjunto não irá agradar a todos. Nem todo mundo gosta de Halloween ou vai gostar do estilo da arte, com muitos crânios, morcegos e rostos sorridentes assustadores. Alguns fãs do Rider-Waite-Smith podem ficar descontentes com a perspectiva que Karin Lee e Kipling West imprimiu às cartas. Porém, eu altamente recomendo o conjunto a qualquer pessoa que goste da festividade do Halloween e sua simbologia e que se sinta atraída por plataformas divertidas.

Ele propõe um exercício interessante para estudantes sérios do Rider-Waite-Smith que permite ampliar o conhecimento muito além do que é trivialmente ensinado em livros e cursos de tarot.

O Tarot Halloween é publicado pela US Games System, Inc.

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A Roda da Fortuna

Frequentemente, ela aparece para anunciar a presença de forças incontroláveis representando o próprio acaso. A propósito, ‘fortuna’ significa ‘sorte’ ou ‘destino’. Numa tiragem ela pode indicar um golpe de sorte ou um toque do destino.

Algumas vezes, ela sugere um visitante inesperado, como um parente que chega sem aviso. Conjunta a carta da Papisa ela pode indicar uma gravidez não planejada.

Esta é uma carta festejada mas também temida por aqueles que sentem necessidade de controle. Ela é a impermanência. O universo e a vida em constante movimento. É representada por um ciclo, pois, o tempo universal é formado por ciclos perpétuos em constante movimento. Não obstante, ela é relacionada a Roda de Samsara, relacionada as encarnações. A mudança é a ordem da vida e através dela devemos evoluir. Nada é igual. Nada permanece. Tudo se renova. É preciso refletir sobre a própria resistência à mudança, pois, a vida é uma oportunidade que não deve ser desperdiçada

A Roda da Fortuna simboliza tudo que é cíclico. Algumas vezes ela aparece para lembrar que o inverno é a promessa de uma nova primavera. Não há mal nem bem que sempre dure.

Quando associada ao Louco ela alerta para o inesperado, seja na forma de surpresas agradáveis ou de contratempos que desafiam a mais sólida expectativa de sucesso.

Quando ocupa a posição do consulente, a Roda da Fortuna é um presságio de boa sorte. Ainda que esteja cercada de cartas negativas, ela significa que a sorte favorece o consulente. Seguida da carta do Diabo ela alerta que não é bom desafiar a própria sorte. Seguida da Lua, pode indicar que a insegurança e necessidade de controle pode colocar tudo a perder.

Que a energia da mudança eleve a potência de vida em cada coração!

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Namaste!

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Cinco dicas infalíveis para começar com o pé direito!

No post anterior, apontei algumas razões para você aprender a ler o tarot. Agora vou apresentar as ferramentas para você COMEÇAR A FAZER isso!

Mesmo que você não tenha noção de como é um baralho de tarot, garanto que você será capaz de se sair muito bem seguindo as minhas dicas. Vamos começar?!

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