Arcanos Maiores: A Lua e Seus Mistérios

A Lua no Tarot Marseilles ou Marselha (francês)

Há milênios, a Lua e seus mistérios nos intriga. Ela, que influencia as marés e os ciclos agrícolas, o luzeiro da noite, testemunha das juras de amor e maldição e dos segredos da alcova, foi relacionada aos mistérios maiores que dividem a existência em ciclos de vida, morte e renascimento. A Lua influencia os ciclos de fertilidade do solo, dos animais, plantas e pessoas. A Lua, cúmplice das bruxas, mãe e avó sagrada da Terra, é a dona de toda magia. Comandante das criaturas da noite. Inspiradora das artes, dos artistas e a protetora dos amantes.

No Tarot, a Lua simboliza o que está além do controle. É uma carta complexa, com várias camadas de interpretação.

Neste artigo, analiso os elementos de sua simbologia tradicional e comento sobre as inovações e seus reflexos na maneira de perceber o arcano A Lua:

Lua Plena

Em geral, a Lua é representada na forma plena. A opção não vem de uma escolha meramente estética. A fase cheia é a manifestação do poder total da Lua.

Alguns ilustradores optaram em adicionar as linhas que representam as demais fases, a exemplo do Tarot Marseille (Marselha). Esta opção serve para lembrar que o poder da Lua está em seu auge, uma vez que a Lua Cheia concentra todas as demais fases; além de servir de lembrete ao seu caráter perpétuo e transitório.

Na simbologia do Tarot, a Lua Cheia no céu é a transmissora da magia, e também um símbolo de fertilidade. Portanto, em questões relacionadas a tais temas, a Lua tende a confirma-las.

O Tarot de Crowley, no entanto, incorporou a simbologia da Lua Minguante, a fim de destacar os poderes maléficos do arcano. Para quem segue essa tradição, existem diferenças de interpretação consideráveis entre este e outro método

Em Crowley ou Thot, a Lua é um símbolo de esterilidade, punição e sacrifícios. Um presságio quase sempre negativo para os romances e os negócios. Mas no Tarot Marseille ou no Rider-Waite, sua presença tende a indicar aumento de ganhos ou lucros nas questões financeiras e atrair fama quando associada a cartas positivas ou ao naipe de Paus.

A Lua indica acontecimentos que se desenrolam durante à noite ou “na ausência da luz”, a exemplo de romances clandestinos, conspirações, segredos e traições. É sempre um alerta para o que os olhos ignoram ou negligenciam, portanto, deve-se redobrar a atenção na assinatura de contratos e nas rotinas.

O Lagostim

O Lagostim é um crustáceo aquático de hábitos noturnos, que pode habitar tanto os mares quanto os rios. Antigamente, ele simbolizava o signo de câncer, atualmente representado pelo caranguejo.

No Hemisfério Norte, o período das águas se inicia quando o Sol entra no signo de Câncer. A representação do Lagostim emergindo das margens de um rio, lago ou praia remete a época das cheias, quando a chuva é abundante

A água é o elemento emocional. Tal qual as marés, a Lua também exerce influencia sobre as águas internas ou humores humanos. Não obstante, ela é o astro regente do signo de Câncer, que simboliza o transbordar das emoções.

Os antigos gregos acreditavam que os humores refletiam a quantidade de certos fluídos, como sangue, o plasma, a bílis e a fleuma, circulante no corpo.

A Lua remete ao plano emocional e simboliza tudo que mexe com as águas internas, causando estados oscilantes de humor. Mas lembrando que são estados derivados de um transbordamento emocional, as oscilações representadas pelas Lua partem de uma visão exagerada e pouco realista das circunstâncias.

A pessoa sob influencia da Lua sente pavor de uma situação que sequer se concretizou, sente rancor de uma circunstância que perdeu completamente a importância, ilude-se com um amor que não é correspondido ou torna muito maior um problema que, na verdade, é simples.

No destaque, a deusa lunar grega Hécate, protetora das encruzilhadas e da magia, com seu cão de três cabeças Cérbero. Nos pés da imagem, o caranguejo

A Lua pode indicar a ocorrência de situações além da esfera de disponibilidade, mas, na maioria dos casos, ela é um alerta sobre a própria conduta emocional. Quando as emoções e o ego fogem do controle, podemos nos tornar os piores inimigos de nós mesmos.

Na Astrologia, o signo de Câncer e seu regente, a Lua, referem-se ao passado. Especialmente quando associada ao Naipe de Espadas, a Lua adverte para a existência de crenças, sonhos e pensamentos negativos e repetitivos que minam a autoestima e impedem a evolução. É o momento de repensar e liberar-se de ressentimentos.

Na visão do Tarot de Crowley, a simbologia astrológica da Lua não é ligada a Câncer, mas, ao signo de Peixes, que representa a Décima Segunda Casa Astral ou o Inconsciente. Neste caso, o plano emocional de Câncer assume a dimensão psíquica e espiritual de Peixes. Quem segue essa tradição deve tomar cuidado, pois, aqui a leitura não assume os traços mais individualistas do tratamento dado pela simbologia tradicional. Pode referir-se a fatores que sequer são conscientes, mas, que influenciam a questão, tais como: premonições, magia, projeções de sentimentos e desejos dos outros que são aceitas como próprias, lembranças de vidas passadas e fatores ancestrais, etc.

As Duas Torres
Inspirado no Rider-Waite, coloca em destaque a Lua Nova – a face oculta da Lua Plena.

Existem vários entendimentos sobre a simbologia das Torres. O Tarot Rider-Waite acrescentou à simbologia original o limiar, representado por um rio ou caminho que separa as duas torres. Este limiar pode ser interpretado como a linha tênue entre o consciente e o inconsciente, o imanente e o transcendente, a ilusão e a realidade.

Na visão do Tarot de Crowley, as Torres formam um portal de acesso para a consciência superior, sem a qual é impossível distinguir a verdade da ilusão. Tal visão é considerada válida pelos leitores de Rider-Waite, porém, a perspectiva mais aceita é que o limiar simboliza o caminho do meio ou do equilíbrio, única saída para o exagero ou extremismo emocional.

Particularmente, entendo que a simbologia tradicional quis destacar o caráter dúbio da carta.

Os espelhos foram objetos que intrigaram a humanidade. Como no romance de Alice no País das Maravilhas, eles já foram vistos como portais para dimensões estranhas.

A Lua e a Torre no Tarot de Oswald Wirth

Existe uma teoria de que a carta da Lua possui apenas uma torre: a outra consiste num reflexo distorcido, como são todas as coisas na dimensão dos sonhos, da imaginação ou do mundo “além do espelho”. Isto porque uma das torres corresponde a mesma Torre do arcano XVI, que no Tarot Wirth é ilustrada de forma idêntica.

Em outra leitura, as torres representam a vulva. O lago, o útero materno. O arcano a Lua é a representação da energia feminina, doce e, ao mesmo tempo, severa. O signo de Câncer é a Quarta Casa Astral, ligada ao útero e à mãe. A Lua pode representar o medo ancestrais relacionados ao feminino, tais como: o medo do abandono, o medo (nos homens) de se comprometer; além de problemas de relacionamento com a mãe.

O Cão e o Lobo
Inspirado no Rider-Waite, este Tarot substitui a figura do lobo pelo lobisomem para melhor se adequar ao tema. O lagostim está representado em menos destaque à esquerda da imagem, como um cartaz

No Tarot Rider-Waite e outros esotéricos e/ou modernos são representadas as figuras do cão e do lobo, o que inova a simbologia do Tarot Marseille. Exceto pelo uso de cores diferentes, as criaturas apresentam traços semelhantes e característicos do cão doméstico. Tal distinção pode ter o objetivo de representar a variedade de cores e formas dos cães ou ocorreu por mera opção artística. Porém, nada indica que essa opção sirva para informar que pertencem a raças diferentes.

Embora baseada na iconografia do tarot francês, seria um erro atribuir a presença do lobo nos tarôs esotéricos a um equívoco. Assim como o cão, o lobo também é um animal lunar, haja vista a cor e variedade de sua pelagem, do preto ao prateado, os hábitos noturnos e o curioso costume de uivar a Lua. No Tarot Rider-Waite, cada qual desempenha uma função simbólica importante, que é reforçar o caráter ambíguo ou dúbio da carta. O cão tem como atributos: a amizade, a lealdade, a obediência e a docilidade, cuja função é representar as características maternas e acolhedoras da energia feminina da Lua. O lobo é um animal selvático que tem por atributos: a sagacidade, a força e a ferocidade. Ele exerce a função de representar o lado sombra, os poderes ocultos e as forças incontroláveis da Lua, tais como: a magia, os inimigos ocultos, a loucura, a ansiedade, as compulsões, as obsessões e os excessos.

 

A Lua no Tarot de Thot

Nem sempre o inimigo oculto nas sombras é o outro. A maioria das vezes, o maior inimigo de nossos propósitos somos nós mesmos. Não obstante, disse certa vez Thomas Hobbes que o “O homem é o lobo do próprio homem”.

Movidos pelo medo, culpa, crenças falsas, ressentimentos, remorso e raiva, agimos com severidade contra si próprios e contra as pessoas que mais amamos. A Lua, em aspecto positivo é um chamado para observar a nós mesmos. Ver o outro lado do espelho e entender nossa participação nas crises e revezes que se precipitam.

Uma realidade difícil, permeada por segredos e traições diz mais respeito a nós do que aos outros ou as circunstâncias. A Lua, nesse caso, funciona como um lembrete para olhar para o que existe dentro.

 

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Obras consultadas

Banzhaf, Hajo e Theler, Brigitte. Tarô de Crowley: palavras-chave. trad. Thaís Balázs. Ed. Madras: São Paulo, 2017

Godino, Jessica e O’Leary, Lauren. Manual do Tarot Místico Universal. trad.Héctor Ramirez e Edgar Rojas. Ed. Llewellyn Espanhol: St. Paul, MN- USA, 2001.

Estés. Clarissa Pinkola. Mulheres Que Correm Com Os Lobos: mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem. trad. Waldéa Barcellos. 1.a ed. Ed. Rocco: Rio de Janeiro, 2014.

Jodorowsky, Alejandro e Costa, Marianne. O Caminho do Tarot. trad. Alexandre Barbosa de Souza. Ed. Campos: São Paulo, 2016. Selo Chave

Pramad, Veet. Curso de Tarô e Seu Uso Terapêutico. 4. a ed. revisava e ampliada pelo autor. Ed. Madras: São Paulo, 2014.

Sharman-Burke, Juliet e Greene, Liz. O Tarô Mitológico (manual). trad. Fulvio Lubisco. São Paulo: Madras, 2013.

Artigos consultados

Artigo: “XVIII. A Lua: arcano da inteligência instintiva, dos ciclos vitais”. Riemma K., Constantino. site: Clube do Tarot:

www.clubedotarot.com.br/site/m32_18_lua_asp

Imagens

Acervo pessoal

Tarot de Marselha/Crowley/Wirth: Fonte: Pinterest


Sobre a autora

Maeve (Maira Fuzii Louzada) é Facilitadora do Curso de Barras de Access e Practioner da técnica. Master Reiki, Shamballa Multidimensional Healing, Elenari Reiki e Magnified Healing. Terapeuta ThetaHealer com certificado internacional nos cursos DNA Básico, Avançado e Manifestação & Abundância com formação em Psicoterapia Holística e operadora da Mesa Cristalina Metatrônica. Consultora oracular nos sites Iquilibrio e Fortunica e colunista do site O SegredoRealiza atendimentos presenciais em Porto Alegre e à distância através dos sites IquilibrioSagrado & Feminino e Blog Taro Fácil . Siga meu perfil nas redes sociais!

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Arcano Três de Paus

Depois de enfrentar um período de dúvidas ou incertezas, o momento é de avançar. Definida a direção a seguir, o que falta é “colocar a mão na massa”!

O Três de Paus é a promessa de sucesso, de reconhecimento, de algo que é conquistado por mérito. Como outros arcanos Três (para entender melhor a simbologia do três, clique aqui e será direcionado ao artigo), essa carta mostra que é preciso colher o fruto.

O naipe de Paus é ligado ao elemento fogo, o que confere um sentido de urgência. É preciso prontidão para colher o fruto antes que ele apodreça na árvore.

Imagine o projeto de abertura de uma empresa inovadora, com um produto maravilhoso que conta com vários estudos positivos de mercado e que promete ser um verdadeiro estouro de vendas?Imagine agora que o idealizador conseguiu atrair as pessoas certas para investir e conseguiu a mão de obra adequada para fabricar este produto, mas, apesar de contar com todos os recursos necessários e saber como divulgar, ele demora para iniciar a produção e o lançamento. A falta de prontidão pode acarretar que o produto, antes inédito, deixe de ser inovador porque alguém, com mais iniciativa, começou a comercializá-lo antes.

O Três de Paus é um alerta para não deixar para amanhã o que se pode fazer hoje. É preciso malhar o aço enquanto está quente. Respeitar o sentido de urgência que a situação impõe. Do contrário, pode-se arriscar perder uma boa oportunidade!

É a carta da iniciativa, que pede ação imediata.

No âmbito dos relacionamentos, é uma carta de conquista. Mas, no aspecto negativo, a diferença entre o Três de Paus e o Três de Copas é sutil. De um lado, existe um relacionamento onde um dos parceiros quer ser reconhecido como ‘namorado(a)’, ‘marido’, ‘esposa’, etc. e o outro reluta assumir compromisso (por medo, por não se sentir envolvido o suficiente). Do outro, existe uma relação onde um dos parceiros tem um ideal de relacionamento ou conceitos sobre o que é o amor, o que é realização, e espera que o outro corresponda.

O Três de Paus é uma carta de avanço, mas, também de aceitação.

Sabe o que significa aceitação? Aceitar a ação! Algumas vezes, por perfeccionismo, não conseguimos aceitar quem somos nem a realidade, fruto de nossas escolhas e decisões.

É preciso aceitar que tudo o que somos é o melhor que podemos ser e buscar superar as próprias limitações sem culpa, sem julgamentos.

Quantos projetos morreram na prancheta por que “faltava alguma coisa” que não se sabe o quê para ser “perfeito”?

O relacionamento perfeito, o parceiro perfeito, o emprego perfeito, o “eu” perfeito… Nada disse existe na dimensão em que vivemos. O que existe é o melhor que podemos ser. O melhor que podemos realizar com tudo o que somos…

Para que suas metas não morram na praia, ouse agir! Nós só temos o agora.

Para finalizar, eu altamente recomendo a leitura do artigo em que falo sobre a simbologia do Três no Tarot a fim de complementar as ideias ora expostas. Clique aqui para ser direcionado à página!

 

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Arcanos Menores: Os Arcanos Três

O Três representa o ‘fruto’ ou resultado do que foi cultivado.

No naipe de Paus, ele é a ação ou impulso de realizar.

No naipe de Copas, ele é o encontro de dois corações. De duas intenções de amar e de ser amado.

No naipe de Espadas, ele é a decisão que emerge de um conflito interno.

No naipe de Ouros, ele é o acordo entre duas vontades. O contrato.

Cada arcano Três decorre de uma situação representada por um arcano Dois.

(Atenção: Caso ainda não tenha lido o artigo sobre os arcanos Dois recomendo que faça agora! Isso será importante a compreensão das ideias aqui expostas! Clique aqui para ser direcionado ao artigo).

No caso do naipe de Paus, é tomar uma ação imediata depois de decidir qual caminho deve seguir. Imagine um estudante que passou no vestibular para medicina e fisioterapia e está em dúvida sobre qual curso deve se matricular. Depois de muito pensar, ele chega a conclusão que medicina é o melhor curso para ele, porém, para que possa frequentar as aulas é imprescindível que faça a matrícula a tempo, do contrário pode perder essa oportunidade.

O sentido de urgência indicado no exemplo expressa uma situação Três de Paus: você precisa tomar uma atitude imediatamente, do contrário, os esforços empreendidos até que a sonhada oportunidade surgisse podem ser perdidos (Quer saber mais sobre o arcano Três de Paus? Clique aqui para ser direcionado ao artigo!)

O Três de Copas são os encontros, o relacionamento amoroso. Em alguns casos, quando cercado de cartas do naipe de ouros ou acompanhando a Imperatriz, pode indicar uma gravidez. É o arcano da celebração, dos encontros felizes, do encanto.

Imagine duas pessoas que se conheceram recentemente e estão vivenciado o encantamento do primeiro encontro, descobrindo afinidades e apreciando as qualidades um do outro. Essa é uma situação Três de Copas: aquela sensação de que “deu match”! Aquele desejo de viver o bom do amor.

Embora seja uma carta muito celebrada por quem está em busca da realização no âmbito do amor ou deseja filhos, vale lembrar que no Tarot todas as cartas possuem dupla polaridade. Portanto, o Três de Copas tem seu “lado sombra”, que pode ser compreendido como uma expectativa de amar que não encontra correspondência no outro.

Eventualmente, um dos parceiros imagina tardes coloridas e uma vida a dois repleta de acontecimentos felizes, até que percebe que o outro não acompanha esse entusiasmo. Um dos motivos para a versão negativa do Três de Copas se concretizar é o fato de um dos parceiros ser comprometido ou se sentir apaixonado por uma outra pessoa. Neste caso, veja-se que o Três estará apontando para um triângulo amoroso, para existência de um rival.

Existem casos em que o rival não é uma pessoa, mas, o medo (de se apaixonar e sofrer, o medo de assumir compromisso e perder a liberdade, etc) ou algum outro aspecto da vida que rivaliza com a possibilidade de se ter um relacionamento, a exemplo do trabalho, a distância, estrutura familiar, falta de dinheiro, etc.

Com base na experiência de consultório, posso afirmar que essa situação é bastante comum. Apesar de haver correspondência de sentimentos, um dos parceiros acha difícil ou até impossível viver um relacionamento estável e duradouro, seja porque considera a distância algo invencível e que pode “afundar” a relação a longo prazo, ou devido a dedicação ao aspecto profissional.

Três de Ouros é uma carta muito presente em questões que envolvem contratos e sociedades. O Dois de Ouros, muitas vezes, representa um contrato que nada mais é que um acordo de vontades. O Três de Ouros fala sobre as criações dessas vontades conjugadas, que pode ser um contrato no sentido formal, a venda de alguma coisa ou a formação de uma sociedade (conjugal ou empresarial).

No Tarot Rider Waite Smith, o Três de Ouros é representado por uma cena de batismo, cujo simbolismo podemos extrair algumas percepções: 1. Evoca a ideia de filhos, de frutos, incluindo os frutos e as recompensas pelo trabalho; 2. O batismo é um compromisso, um juramento. Não obstante, o Três de Ouros simboliza situações que geram direitos e obrigações para as pessoas; 3. O batismo é um renascimento e, portanto, o Três de Ouros pode indicar uma mudança que implique em se adaptar a uma nova estrutura de vida, como mudanças de domicílio, de ambiente de trabalho, etc.

Três de Ouros no Tarot Rider-Waite-Smith

A presença do Três de Ouros nas análises sobre o sucesso ou insucesso de uma entrevista de emprego costuma apontar para uma contratação. E o mesmo acontece em relação a venda de imóveis. Enquanto o Dois sugere a presença de propostas formalizadas ou não de compra, o Três confirma a realização do negócio. O Três representa a concretização dos objetivos em nível material: o pedido de noivado (Dois de Ouros) que vira casamento (Três de Ouros), a proposta de compra (Dois de Ouros) que é efetivada (Três de Ouros), a entrevista de emprego (Dois de Ouros) que vira contrato de trabalho (Três de Ouros). (Desculpe a repetição! Foi utilizada para melhor elucidar as ideias ora expostas).

Ao meu ver, Três de Espadas é o mais interessante dos quatro arcanos, pois, ele sugere a tomada de uma decisão após ter enfrentado um profundo dilema interno.

Três de Espadas: a sensação que o Sol da vida se apaga

É uma carta pouco desejada por estar ligada a temas pesados, como a traição, a perda, o luto e a doença. O exemplo mais clássico para descrever uma situação Três de Espadas está justamente ligada a infidelidade conjugal. Não é incomum que o parceiro traído desconfie da infidelidade e a dúvida seja algo tão ou mais torturante que a constatação do fato (Dois de Espadas).

Cria-se a ilusão de que, enquanto o fato não é confirmado, ele não é real. Então, a verdade emerge, a dor é inevitável, mas, a vida precisa seguir em frente! Esse é o arcano das desilusões. A carta que desafia a capacidade de superação!

Espero que este estudo seja proveitoso para levar maior clareza sobre as cartas numeradas do grupo dos arcanos menores!

O próximo post será sobre os arcanos Quatro, lembrando que a análise dos Ases será feitos ao final dessa série.


Aproveite e acompanhe a série sobre o naipe de Paus publicada simultaneamente à série de cartas numeradas. Hoje eu publiquei um artigo especial sobre o Três de Paus. Clique aqui e confira!

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Desmistificando o Arcano A Morte

Sei que é estranho e talvez mórbido, mas, a verdade é que o arcano A Morte sempre exerceu especial fascínio em mim. A figura do esqueleto segurando uma foice é autoexplicativa. É o único arcano cujo nome é suprimido. O grande esqueleto encapuzado segurando a foice é uma imagem que impacta, que assusta, intuitivamente relacionada ao medo mais primário da existência.

Segundo as antigas tradições místicas, os nomes sagrados não devem ser pronunciados em vão. Tamanho o medo e respeito que ela desperta, evitava-se pronunciar a palavra ‘morte’ a fim de não chamar sua atenção.

A exaltação à juventude tão presente em nossa cultura fez parecer feio e proibido os temas do envelhecimento, da doença e da morte. Temos a perspectiva de que a morte é o irreversível e inevitável fim de uma existência. Tal visão superficial nega a importância que ela possui para a vida.

Dizia-se que os Deuses, a quem tudo era permanente e infinito, invejava a condição mortal dos homens. A ideia de finitude e, portanto, da transitoriedade, permite que todo tormento tenha fim, “que tudo passe”!

Ela está presente em cada processo de transição. Quando o bebê aprende a andar e, depois, quando a criança se torna jovem e o jovem adulto. Quando se diz adeus aos tempos de escola e olá para a escola da vida.

A morte é a mesma energia que gera a vida. É o poder de transformação. Para que algo se transforme, uma parte precisa ser renunciada. Então, quando a morte surge em um jogo ela geralmente anuncia uma nova fase. Uma renovação

As pessoas temem a transformação porque não estão disposta a abdicar de antigas estruturas. Agarram-se a situações pouco favoráveis ou mesmo tóxicas porque temem o desconhecido.

Em questões de relacionamento, A Morte é uma carta temida, pois, pode indicar ruptura. No entanto, a experiência de consultório me fez entender que ela nem sempre indica um término.

De acordo a posição que ocupa no jogo e as cartas que a acompanham, A Morte pode comunicar algo favorável como, por exemplo, um noivado ou casamento. Afinal, o casamento representa a “morte” da vida de solteiro, a transformação de um estado civil para o outro. Ela também pode indicar o fim de uma crise (no relacionamento, na vida financeira e profissional, na saúde).

Um dado interessante sobre este arcano é que ele pode precipitar acontecimentos ou atrair o inesperado. É uma carta rápida, assim como são a carta do Carro e os Cavaleiros (todos).

Para a questão financeira e profissional ela pode indicar perdas e a necessidade de “cortar a própria carne”.

O esqueleto é a essencialidade, a simplicidade e a pureza. Num jogo sobre situação financeira, A Morte anuncia que é tempo de enxugar. Na vida profissional, pode anunciar alguma mudança no ambiente de trabalho, uma promoção ou transferência ou alteração de empregadora. Mal posicionada pode indicar demissão.

Nas questões de saúde, ela pode indicar problemas nos ossos, perigo de acidentes e, em alguns casos (raros), indicar doenças graves e a morte física. A situação mais comum, no entanto, trata da necessidade de mudar hábitos e comportamentos.

Dieta inadequada, falta de exercícios, falta de diligência com exames e medicamentos, ausências ao médico podem justificar a presença da carta da Morte numa tiragem sobre saúde. É um alerta para que o consulente seja pontual a fim de evitar o surgimento ou agravamento de alguma doença.

 

A carta da Morte é um divisor de águas. Ela representa eventos que abrem caminho para algo maior . Por isso, ela merece todo o respeito e atenção.

O (re) nascimento é um processo doloroso. O bebê luta para nascer, para irromper a escuridão e encontrar a luz. A vivência da carta da Morte é tudo, menos leve. Ela nos abre para situações que desafiam os apegos a fim de sutilizar a forma de lidar com o mundo e consigo mesmo.

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Fontes consultadas

A Roda da Vida: memórias do viver e do morrer. Kübler-Ross, Elisabeth M.D. Trad. Maria Luiza Newlands Silveira. Ed. Sextante: Rio de Janeiro, 1998

Elementos do Tarô. A. T. Mann. trad. Angela Perez de Sá. Ed. Ediouro: Rio de Janeiro, 1995

 

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Arcanos Menores: Os Arcanos Dois

No início, os arcanos menores soavam algo misterioso e complexo. Eu usava somente os arcanos maiores e, na medida em que ficava mais familiarizada, sentia-me menos encorajada de sair daquela zona de conforto. Depois de dez anos de prática, eu resolvi tomar vergonha e não adiar mais. Comecei a estudar todos os dias, ao menos quatro horas por dia, até pegar o jeito. Pesquisei na internet, comprei livros, peguei dicas com amigos. Encostei meu velho companheiro “Tarot de Marselha” e disse olá para o Rider-Waite-Smith!

2 de Paus: Tarot Rider-Waite-Smith
2 de Paus: Tarot Rider-Waite-Smith

Um dos estudos que fiz nessa época é o que transmito agora para vocês. Um estudo de padrões das cartas numeradas.

Eu gosto de estudar simbologia porque isso agrega qualidade a leitura. Algumas perguntas não podem ser respondidas com base na sequência de cartas. É preciso entender a simbologia, o que faz toda a diferença quando as cartas numeradas participam da tiragem. O que significa uma carta dois? E uma carta quatro? Muita gente usa como referência a numerologia, mas, como numeróloga, sei que isso não funciona plenamente como alguns de vocês poderão notar no decorrer deste estudo.

2 de Ouros: Tarot de Marselha
2 de Ouros: Tarot de Marselha

O primeiro post da série é o Dois. Começar com o dois foi uma opção “didática”. Ao meu ver, os ases são as cartas de maior complexidade da série numerada e, por isso, ficaram por último. Em razão da série especial de publicações sobre o naipe de paus, recomendo que leia o artigo específico sobre o Dois de Paus publicado hoje depois de ler este texto.

É comum encontrar nos livros que o Dois representa a dualidade. Mas o que é “dualidade”?

Dualidade não é o mesmo que “dualismo”, ou seja, a ideia de duas forças opostas e complementares, como bem e mal, luz e sombra; mas, literalmente, a existência de duas unidades.

Cada carta possui sua própria narrativa. No caso das cartas numeradas, a história é contada com base nos números, que funcionam como “níveis” ou “graus”.

Quando o dois era um, não existia conflito, harmonia e não incluía um outro. Tudo era instinto sem controle e só dependia de mim. Então, quando o um evolui para o dois, ele ganha um complemento. A exemplo do naipe de copas, que simboliza as emoções, o Dois de Copas pode literalmente representar a soma de dois corações, ou então, o desejo de amar + ser amado. Amar depende apenas de mim, mas, para eu ser amada é preciso haver um outro.

2 de Espadas
2 de Espadas: Tarot Rider-Waite-Smith

O Dois de Espadas representa a soma de duas ideias ou valores. A pessoa precisa decidir entre uma coisa e outra para se sentir em paz novamente. A indecisão impede a ação. Justamente por isso o Dois de Espadas é frequentemente representado pela imagem de uma pessoa vendadas com os braços cruzados.

Vemos que a soma de unidades representa pelo Dois nem sempre inclui duas pessoas, mas, necessariamente inclui elementos de mesma magnitude. No naipe de Copas é o sentimento. No naipe de Espadas, os ideais ou valores. No naipe de ouros, os interesses ou bens.

O Dois de Ouros é uma carta frequente em tiragens relacionadas à venda de bens e também no que tange aos relacionamentos nas mais diferentes esferas. Por se tratar de um naipe físico, ele pode representar literalmente duas pessoas, a troca de um bem por outro ou sua contrapartida em dinheiro, um contrato que simboliza a soma de interesses. Representada por um equilibrista no Tarot Rider-Waite-Smith, o Dois de Ouros é uma carta que fala sobre o equilíbrio fino entre necessidade e possibilidade e todas as convenções necessárias para conviver em sociedade. A sociedade é um aspecto mundano, portanto, regido pelo elemento terra.

Ao meu ver, o Dois de Paus é a mais “metafísica” do grupo, porque ela fala das possibilidades. De um lado, uma ação iniciada em outro momento encontra seu ponto de estabilidade e agora a pessoa precisa refletir sobre qual rumo irá tomar. Em certa medida, ele lembra o Dois de Espadas que simboliza a indecisão. A questão trazida por um Dois de Paus representa aquelas encruzilhadas da vida na qual a pessoa fica em dúvida sobre qual caminho seguir. Para ler agora o post que escrevi sobre o Dois de Paus, clique aqui.

Assim como os ases, os dois são cartas “abertas” que necessitam de complemento. Se o Dois sai na síntese de uma tiragem e o conjunto não permite identificar qual tônica ela recebe é preciso lançar mão de cartas auxiliares.

A simples presença de um Dois de Copas não significa que um encontro amoroso irá acontecer. Pode significar

2 de Copas: Tarot Housewives
2 de Copas: Tarot Housewives

apenas que ele é desejado ao menos por uma das partes. Do mesmo modo, a presença do Dois de Ouros numa questão sobre trabalho pode não ser suficiente para mostrar que a pessoa vai conseguir um emprego. Portanto, é preciso dar atenção para a qualidade “aberta” desse grupo de cartas.

Uma carta aberta como um verbo transitivo: precisa de complemento. Ela não é autoexplicativa. Não traz uma situação “fechada”, com começo meio e fim. É diferente de carta neutra, que possui dupla polaridade. Uma carta aberta pode ser neutra ou seguir uma tendência bem definida, a exemplo do Dois de Espadas que tende a ser negativo.

No próximo post, vamos falar das cartas Três. Aguarde!

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O Dois de Paus

O Dois de Paus é uma carta que fala das oportunidades. Uma ação iniciada agora se consolida e ele se depara com uma encruzilhada. A pessoa que vive uma situação “Dois de Paus” tem motivos para festejar, pois, sua vida está em pleno movimento. É justamente esse movimento tão dinâmico que eventualmente assusta. Caso, por exemplo, da pessoa que batalhou para seu negócio dar certo e agora que alcançou algum grau de estabilidade, ela sente que é o momento de expandir. Porém, para expandir, é preciso investir, então, a pessoa se depara com a possibilidade de ter de pedir um financiamento.

Expandir parece uma boa coisa, mas, contrair uma dívida não é legal. Por causa disso, a pessoa se vê numa encruzilhada que, neste caso, significa ficar como está até que se tenha recursos suficientes para investir no negócio ou arriscar expandir assumindo uma dívida.

2 de paus4

Trata-se de uma carta que sempre indica crescimento, mas, também, a necessidade de se ter clareza. É preciso evitar agir por impulso a fim de analisar as oportunidades.

No amor, o Dois de Paus pode significar que um dos parceiros tem dúvida se quer evoluir a relação de um namoro para um casamento, por exemplo. Mas também pode indicar oportunidades amorosas fora do relacionamento. Devido a esse caráter, esta é uma carta dúbia em termos de amor. É preciso adequá-la ao contexto da pergunta e analisar o que existe ao redor. Por exemplo, se ela aparece como complemento da carta do Diabo, ela abre a possibilidade da infidelidade. Se aparece ao lado da Sacerdotisa, é medo de se comprometer. Mas se aparece ao lado da carta do Papa ela pode indicar um noivado ou casamento.

Em um aspecto psicológico, o Dois de Paus representa a dúvida sobre o que é mais conveniente. Os valores são sopesados sob o prisma do que é mais fácil ou o que faz mais feliz.

Two of Wands

A Simbologia no Rider-Waite-Smith

Apresenta um nobre que observa do alto de uma colina a muralha de um castelo. Ele apoia um bastão no chão com uma mão e com a outra ele posiciona o cajado na direção do castelo. O bastão apoiado simboliza o que existe no plano físico ou material. São os bens e demais recursos que ele dispõe. O solo é uma simbologia própria do presente, do que existe hoje. O outro bastão mira para o futuro, representado por aquele reino que o nobre cogita conquistar. A planície simboliza a jornada para alcançar aquele objetivo. O castelo representa o futuro. Significa que buscar um objetivo distante, no futuro, implica em risco. É importante questionar a solidez dos próprios recursos antes de dar um passo a diante.

Necessidade de Complemento

O Dois de Paus é uma carta que requer complemento, pois, é impossível avaliar a situação que ela representa por si mesma. É algo inicial, portanto, aberto, que está em via de desenvolvimento. O Dois de Paus pode representar uma pessoa casada que aspira a emoção de uma aventura extraconjugal. Porém, “aspirar” e “viver” uma aventura são coisas diferentes. Pode ser que essa pessoa jamais seja infiel – exceto nos pensamentos. Pode ser que seja uma questão de oportunidade. Portanto, para saber como essa situação se desenvolve é imprescindível receber o complemento de outra carta, nem sempre bastando a análise do conjunto.

Aspecto Negativo

Quando a carta do Dois de Paus está mal-posicionada ou em conjunto com cartas “negativas” (entenda-se: com tendência negativa), ele pode indicar: isolamento, solidão, oportunidades mal-avaliadas ou perdidas e situações de “dar um passo maior que a perna”. Acompanhada de muitas cartas de Paus pode indicar ambição excessiva ou muita impulsividade. Lembrando que este Naipe simboliza o elemento fogo – o mais transcendente e intuitivo dos elementos – o Dois de Paus, em aspecto negativo, pode indicar intuição negligenciada ou premonições negativas que se concretizam.

 

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O Naipe de Paus

O naipe de paus é um dos quatro seguimentos do grupo dos arcanos menores. Também denominado como bolotas, varas, cetros, trevos ou bastões, relaciona-se a natureza do fogo e aos aspectos a ele atribuídos, tais como: a vontade, o poder, a criatividade, a vitalidade, a força, a paixão, o desejo, o ímpeto, a agressividade, a ação, a agilidade, o movimento, a velocidade, a honra, os valores, as crenças e os ideais.cavaleiro-de-paus

Os arcanos do naipe de paus são velozes e venturosos. A presença de muitas cartas desse naipe tende a impor maior velocidade aos acontecimentos. Senão, indica a necessidade de o consulente tomar atitude.

A velocidade é justamente o aspecto que merece maior ponderação, pois, o ritmo mais acelerado pode resultar em decisões irrefletidas tomadas por mero impulso.

Importante lembrar que não existe carta negativa ou positiva. Tudo depende da perspectiva ou como cada pessoa se propõe a vivenciar as experiências representadas pelas cartas. Este naipe em particular é normalmente bem recebido porque traz movimento à vida e coloca a pessoa em contato com seus desejos e aspirações. A carta do 8 de Paus, por exemplo, fala sobre a capacidade de superação quando existe real engajamento para um objetivo. O Rei de Paus é uma carta que indica a necessidade de usar com sabedoria o poder de decisão.

O elemento fogo representa as paixões, os desejos que impulsionam a trajetória do homem na terra. É o luminoso, belo e volátil fogo da vida, a potência divina que permite criar a realidade através das escolhas ou decisões. O naipe de paus pode surgir em uma consulta apenas para alertar o consulente sobre a importância de desejar consciente e não somente para si.

sacerdotisa-do-fogo-2Desejar implica ter consciência da vontade, do que realmente se quer no coração. O fogo é o elemento transformador. Na tradição esotérica, não existe mudança sem que haja vontade, por isso, qualquer modificação na realidade deve acontecer primeiro no coração do indivíduo.

Algumas pessoas atribuem ao naipe de paus uma conotação individualista ou até egocêntrica, pois, ele coloca o individuo no centro do universo. Porém, ao compreender que nenhuma mudança acontece de fora para dentro, mas, sim, de dentro para fora, ela exige um centramento em si mesmo. Se por um lado não é possível mudar o outro, a possibilidade de reformar a si mesmo está sempre disponível e isso reverbera em todos ao redor e no mundo como um Todo.

Para compreender as cartas do naipe de paus é preciso partir do ponto de vista da vontade. Mas o que é Vontade?

as-de-paus-5Segundo algumas correntes esotéricas, vontade é “tesão”. Algo que está fora do alcance de sua mente intelectiva, pois, tesão é algo que se sente não se explica. Libretos de tarôs ligados a tradições esotéricas ou ocultistas, como o da Golden Dawn, frequentemente substitui a palavra “vontade” por “tesão” a fim de retira-la dos processos mentais ligados ao ego.

O tipo de vontade representada pelo naipe de paus não é uma constatação do que é certo ou errado, aceitável ou inaceitável. Não estabelece uma relação entre indivíduos ou do homem em relação à sociedade. É a relação entre o indivíduo e o próprio desejo.

O naipe de paus desperta a compreensão do velho embate entre o desejo do coração e do ego.

Para melhor compreende-lo, recomendo a leitura do próximo post, no qual analiso o naipe de paus na perspectiva do Tarot Mitológico.

Gratidão! Até o próximo post!

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Especial: O Tarot Halloween

Inspirado na celebração folclórica americana, o Tarot Halloween é uma alegre associação entre o lúdico e o assustador. O Jack O’Lantern – a típica cabeça de abóbora das decorações de Halloween – une-se a outras criaturas da noite, como vampiros, assombrações e monstros em uma festa alucinante.

Para ilustrar cada cena do tarot Rider-Waite-Smith, Kipling West usou e abusou das cores clássicas do Halloween – o preto, o violeta e o abóbora – conferindo um efeito alegre, multicolorido e, ao mesmo tempo, sombrio.

Somos convidados a espiar a festa através dos olhos de um gatinho preto – um expectador ativo como é o próprio consulente.

Os naipes dos arcanos menores foram substituídos de maneira muito interessante, a fim de melhor incorporar os ícones próprios da celebração. O naipe de ouros, relacionado ao elemento terra, foi substituído pelas abóboras – os frutos da terra. O naipe de espadas que se relaciona ao elemento ar foi substituído pelos morcegos voadores. O naipe de paus foi substituído pelas figuras endiabradas conhecidas como imps, remetendo à clássica ideia do inferno escaldante. O naipe de copas foi substituído pelos fantasmas ou almas penadas devido à sua relação com a matéria sutil ou espírito.

O Tarot Halloween é um deck interessante para aqueles que como eu sentem-se atraídos pelo lúdico e incomum. Mas, como outros tarôs temáticos, as ilustrações podem limitar a compreensão de determinado arcano porque traz a perspectiva particular do ilustrador e do autor.

Em alguns casos é possível perceber modificações sensíveis do ponto de vista do Rider-Waite-Smith, a exemplo do que ocorre no arcano 4 de Ouros – o “Four of Pumpkins” (4 de abóboras). Veja-se:

4 de ouros no Tarot Haloween e no RWS

No Rider-Waite-Smith (à direita), o 4 de ouros é representado por um homem sentado sobre um baú. A diadema e outros adereços sugerem que ele possui posição privilegiada, podendo ser um nobre ou um burguês. A expressão facial da figura gera dupla interpretação. A primeira traz a ideia de um estado defensivo, no qual o homem sente que pode perder suas riquezas a qualquer momento e, no afã de protege -las, senta em cima do próprio tesouro.

O 4 de Ouros no tarot Halloween mostra a semeadura cuja mensagem, segundo o libreto, é “cultivar um sentimento de gratidão e fazer o melhor uso de sua vantagem”.

Embora aparentemente não exista ressonância com o deck original, trata-se de uma perspectiva diferente da mesma mensagem. Enquanto o RWS enfatiza uma fragilidade (insegurança, desconfiança ou insatisfação), o Tarot Halloween mostra como proceder. Ter gratidão é viver na graça e para viver na graça é preciso receber não só para si.

A escolha por uma interpretação mais positiva tem a ver com a ideia de brincar com o assustador – o que é o próprio espírito do Halloween.

Obviamente, o conjunto não irá agradar a todos. Nem todo mundo gosta de Halloween ou vai gostar do estilo da arte, com muitos crânios, morcegos e rostos sorridentes assustadores. Alguns fãs do Rider-Waite-Smith podem ficar descontentes com a perspectiva que Karin Lee e Kipling West imprimiu às cartas. Porém, eu altamente recomendo o conjunto a qualquer pessoa que goste da festividade do Halloween e sua simbologia e que se sinta atraída por plataformas divertidas.

Ele propõe um exercício interessante para estudantes sérios do Rider-Waite-Smith que permite ampliar o conhecimento muito além do que é trivialmente ensinado em livros e cursos de tarot.

O Tarot Halloween é publicado pela US Games System, Inc.

O que você achou deste tarot? Deixe o seu comentário!

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A Roda da Fortuna

Frequentemente, ela aparece para anunciar a presença de forças incontroláveis representando o próprio acaso. A propósito, ‘fortuna’ significa ‘sorte’ ou ‘destino’. Numa tiragem ela pode indicar um golpe de sorte ou um toque do destino.

Algumas vezes, ela sugere um visitante inesperado, como um parente que chega sem aviso. Conjunta a carta da Papisa ela pode indicar uma gravidez não planejada.

Esta é uma carta festejada mas também temida por aqueles que sentem necessidade de controle. Ela é a impermanência. O universo e a vida em constante movimento. É representada por um ciclo, pois, o tempo universal é formado por ciclos perpétuos em constante movimento. Não obstante, ela é relacionada a Roda de Samsara, relacionada as encarnações. A mudança é a ordem da vida e através dela devemos evoluir. Nada é igual. Nada permanece. Tudo se renova. É preciso refletir sobre a própria resistência à mudança, pois, a vida é uma oportunidade que não deve ser desperdiçada

A Roda da Fortuna simboliza tudo que é cíclico. Algumas vezes ela aparece para lembrar que o inverno é a promessa de uma nova primavera. Não há mal nem bem que sempre dure.

Quando associada ao Louco ela alerta para o inesperado, seja na forma de surpresas agradáveis ou de contratempos que desafiam a mais sólida expectativa de sucesso.

Quando ocupa a posição do consulente, a Roda da Fortuna é um presságio de boa sorte. Ainda que esteja cercada de cartas negativas, ela significa que a sorte favorece o consulente. Seguida da carta do Diabo ela alerta que não é bom desafiar a própria sorte. Seguida da Lua, pode indicar que a insegurança e necessidade de controle pode colocar tudo a perder.

Que a energia da mudança eleve a potência de vida em cada coração!

Deixe o seu comentário, inscreva-se e confira o que vem por aí!

Namaste!

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Halloween, Beltane e o Elemento Fogo

No dia 31 de outubro é celebrado o Halloween, versão norte-americana do “dia de todas as almas” celebrado no Brasil no dia 02 de novembro. A festa foi incorporada pelos imigrantes irlandeses que erradicaram no país e a origem mais provável do costume é o festival celta do Samhaim (lê-se ‘sôuen’), que marca a última colheita do ano.

A celebração do ‘Dia dos Mortos’ ou ‘Dia de Todos os Santos’ também tem origem europeia, mais precisamente portuguesa. É sabido que as tribos celtas estabeleceram presença em várias

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