Arcanos Menores: Os Arcanos Quatros do Tarot

Depois de um longo hiato em razão de compromissos profissionais e pessoais, retomo a série dos arcanos menores, analisando hoje os Arcanos Quatro.

O que existe de comum entre os arcanos de número quatro de todos os naipes?

Para responder a pergunta precisamos pensar sobre a simbologia do número 4. Este é um número de solidez, estabilidade e manutenção. Filósofos pré-socráticos acreditavam que a existência das coisas naturais se baseia em quatro pilares: o fogo, a água, o ar e a terra. Posteriormente, a ideia daria origem a teoria dos quatro humores na qual se entendia que, para ter bom estado de saúde, é preciso manter os quatro elementos em equilíbrio no corpo.

O quatro, assim como outros números, é um símbolo que representa um tipo de energia. No caso, a energia da estabilidade, do equilíbrio,da natureza, da manutenção da ordem e do poder. Não obstante, no grupo dos Arcanos Maiores, O Imperador, símbolo de poder, estabilidade e ordem, ocupa a quarta posição.

Quatro de Ouros no Tarot dos Gatos

Enquanto a energia do três, representada pela Imperatriz, é de criação, a energia do quatro, ligada ao Imperador, sustenta a criação. Sua tarefa é proteger a família, incluindo os bens, direitos e status, e garantir que as Leis das quais emana sua autoridade e poder sejam respeitadas. Ele está sentado em seu trono com as pernas cruzadas, formando o símbolo do número quatro – o mesmo que representa o planeta Júpiter, relacionado justamente a autoridade, a civilização e o Estado, às Leis Universais e dos Homens, a manutenção da ordem e à criação.

Júpiter é a deidade máxima do panteão romano, aquele que está acima dos homens e dos deuses. Senhor de Toda Criação, nenhuma autoridade emanava senão de Júpiter, que amava as coisas naturais, mas, que criou a humanidade e os ideais da civilização. Toda a autoridade emanava da Lei e todas as Leis eram protegidas por Júpiter. Era de costume que as autoridades romanas prestassem tributo a Júpiter e que decisões importantes recebessem sua graça. O estandarte usado pelo exército romano  – a águia alada sobre o globo – é um símbolo de Júpiter.

Existe alguma incompreensão sobre a energia de Júpiter, porque assim como ele representa o universo infinitamente criativo, ele é o pai de todos os paradoxos. Ele representa uma energia que é criativa e, portanto, expansiva, que parece destoar dos valores do número quatro, que busca manter a ordem e a estabilidade e, portanto, limita.

O Imperador no Tarot Oswald Wirth: Pernas cruzadas formando o símbolo de Júpiter e sua zoofania, águia

A astrologia clássica atribui a Júpiter a regência dos signos de Sagitário e de Peixes. Sagitário é um signo expansivo, mas, preocupado com as estruturas. Não é incomum encontrar sagitarianos de Sol e/ou Ascendente que se dedicam à arquitetura ou a construção civil, às Leis que estruturam o Estado, o Universo e o Divino. Peixes é um signo tão ligado a espiritualidade como Sagitário, porém, sua busca pelo Divino é mais intuitiva ou sentimental. Significa o desejo de compreender a si mesmo como parte do Universo, e transcender a forma.

A energia do número quatro é de estruturação e ordem, portanto, um movimento de restrição. Mas é um erro pensar que a energia do quatro é contrária a expansão. Sendo ligada a Júpiter, a ordem e a estrutura é um a forma de garantir que a criação original não seja perdida no processo de crescimento. É o raciocínio de que não é possível construir uma casa a partir do telhado, mas, dos fundamentos. O contrário disso significa usar recursos inutilmente.

Existe, portanto, um desejo de expandir, de crescer ordenadamente, e nada perder no processo. A energia do quatro se preocupa com processo e, considerando que o aspecto negativo de Júpiter é o excesso, essa preocupação, quando extrapola, gera dificuldade na concretização dos objetivos ou desvio de finalidade. Caso, por exemplo, do escritor tem uma ideia muito boa para um livro, mas, por se perder em pormenores, nunca conclui o trabalho.

Essa energia de manutenção, ordenação, estruturação e preservação é expressa nos quatro naipes da seguinte forma:

Quatro de Espadas: Manter-se no seu centro. Manter o foco ou manter-se dentro de um plano. Manter a calma apesar das adversidades. Manter tudo como está.

Quatro de Ouros: Manter suas posses ou posição social. Manter as aparências. Preservar recursos patrimoniais. Manter um acordo ou contrato.

Quatro de Copas: Manter um sentimento (pode ser raiva, tristeza ou amor). Ressentir.

Quatro de Paus: Manter uma conquista. Planejar o futuro. Construir algo (pode ser uma parceria, uma amizade, uma relação, um contrato). Em alguns casos o Quatro de Paus representa uma habitação ou empresa.

Sempre que me deparo com um arcano quatro em uma consulta, pergunto o que o consulente (ou a pessoa que o arcano esteja representando) teme perder. A presença de um Quatro de Copas numa consulta amorosa normalmente reflete o medo de perder o afeto ou atenção do outro. Algumas vezes, a raiva de um parceiro é um meio de não cortar o elo com o passado. Quando ele aparece ao lado de cartas como o Seis de Copas, o Louco ou a Lua, pode indicar que a pessoa romantiza suas lembranças, o que faz ela rejeitar o presente.

O Quatro de Copas no Tarot Wheel Of The Year (Roda do Ano)

O Quatro de Espadas pode indicar o medo de perder o controle de uma situação. O consulente ou a pessoa a quem se dirige a consulta pode temer mudanças. Prefere estar na zona de conforto, onde os problemas já são seus velhos conhecidos. O medo da reação do outro também pode motivar o protelar indefinido de uma decisão.

O Quatro de Ouros pode indicar o medo da escassez. Em razão disso, a pessoa pode ter dificuldade em compartilhar seus bens, julgar mal as pessoas e buscar  relacionamentos que a favoreça social ou financeiramente. Pode denotar mesquinhez e/ou ganância em resposta ao receio de ficar em uma situação material difícil.

O Quatro de Paus representa o medo dos inimigos – reais ou hipotéticos. A vivência negativa desse arcano reflete um comportamento muito precavido ou moderado. A pessoa não demonstra entusiasmo e perder-se em pormenores. Porém, existem casos que evidenciam comportamento oposto: a pessoa quer mostrar que venceu. Gasta imprudentemente seus recursos e/ou se expõe excessivamente, o que pode causar muitos aborrecimentos e até a perda do que foi conquistado. Para saber mais sobre esse arcano, sugiro que leia o artigo O Quatro de Paus.

Entre os quatro arcanos, o mais positivo, sem sombra de dúvida, é o Quatro de Paus, considerado um dos mais auspiciosos do grupo dos arcanos menores. Porém, considerando que as cartas jamais devem ser interpretadas isoladamente (a interpretação depende de muitos fatores), a ideia de perguntar o que a energia de determinado arcano quatro deseja proteger é sempre interessante e pode esclarecer algumas dúvidas de interpretação. Espero que a dica seja útil e caso tenha essa experiência, deixe seu comentário!

Na próxima semana, será publicado o novo artigo dessa série – acompanhe!

Gratidão pela sua atenção e Namastê!

Maeve (Maira Fuzii)


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