Sibilas: O Que São, Para Quê Servem e Quais As Diferenças Com o Tarot

O retorno das Sibilas resgata o velho e quase abandonado costume de “ler a sorte”.

Existem diferenças importantes entre “realizar uma consulta” e “ler a sorte”. Uma consulta tende a apresentar um tom mais grave e até solene. Não é incomum encontrar tarólogos que realizam rituais específicos antes e depois da consulta para beneficiar a intuição e liberar as energias trocadas durante a sessão.

Caixa da Sibilla Della Zíngara, com a carta da Fortuna

Pessoas que optam pela consulta oracular trazem questões pontuais que afetam os aspectos material, emocional, mental e/ou espiritual. Querem entender as causas de seus problemas e buscar soluções. Alguns temas podem causar momentos de descontração, mas, no geral, o clima de uma consulta é distante de tudo que se possa classificar diversão.

Porém, no tempo de nossas avós e além, a forma mais popular de cartomancia era a “ leitura da sorte”, cujo objetivo era responder perguntas mais inocentes e até generalista, tais como: Com quantos anos vou me casar?; Terei muitos filhos?; Farei uma viagem além-mar?

Leituras da sorte eram oferecidas nas mais diversas ocasiões, tais como: reuniões de amigos, chás da tarde, feiras populares, parques de diversões, praças e circos. Mas, em um passado mais remoto, as leituras da sorte era algo mais “elitizado”, usadas para animar e entreter convidados em reuniões da nobreza e burguesia. O motivo estava no valor elevado do papel impresso, pouco acessível a população em geral.

O filme “Maria Antonieta” de Sofia Coppola explora uma interessante porém não comprovada história, de que a Rainha Antonieta teria um baralho para ler a sorte.

Carta Molto Denaro (Muito Dinheiro) da Sibilla Indovina: Representa ganhos, abundância financeira, resultados que superam expectativas otimistas e, em sentido negativo, a ganância e a mesquinhez

Com o passar do tempo, a leitura da sorte perdeu espaço para a consulta oracular, relegando as cartas oraculares a uma cartomancia “de segunda”.

Devido sua simbologia mais “palatável” e de fácil acesso ao público geral, as sibilas passaram a ser vistas mais como um passatempo do que um instrumento divinatório sério.

Durante muito tempo se conservou o falso conceito de que o enigmático e erudito é mais valioso que o simples e intuitivo. De modo geral, as sibilas se opõe ao conceito do Tarot por se tratarem de um instrumento muito simples e acessível. Algumas versões, inclusive, trazem pequenos versos ou resumos sobre o significado de cada carta.

No fim da década de 60, houve um resgate de antigos conhecimentos ou ciências pelo movimento da Nova Era. Foi nesse período que o Tarot teve seu renascimento, não apenas como instrumento divinatório, mas, também para meditação. Inspirada nas ideias de Carl G. Jung sobre o inconsciente e a teoria dos arquétipos, a utilização do tarot para apoiar a autodescoberta e o processo de desenvolvimento da consciência se tornou uma corrente forte ao ponto de ofuscar seu uso clássico.

Na década de 80 e 90 muitas ideias falsas se propagaram ao ponto de alguns defenderem que o verdadeiro tarot serve para reflexão e não para a predição do futuro, o que tornou relativamente desafiador defender a taromântica clássica, separando-a da ciência e da superstição.

Significa: União feliz, alegrias na vida a dois, bom andamento de negócios, um acordo

O Tarot passou por diversas fases ou escolas, que correlacionaram sua linguagem simbólica com outros ramos de conhecimento, tais como: a cabala, a numerologia, a alquimia, a magia. Porém, sempre houve um esforço para preservação de sua simbologia original.

No fim da década de 90, um número cada vez maior de pessoas passaram a se interessar pelo estudo do Tarot Clássico e outras cartomancias, culminando mais recentemente no interesse pelas sibilas, que podem ser encontradas em diferentes versões.

Representa surpresas nem sempre agradáveis e acontecimentos que estão além do controle.

Não existe uma regra ou padrão quanto a nomenclatura das cartas ou número de lâminas. É possível encontrar versões com 32, 36, 52 e até 56 cartas. Quanto à forma e a simbologia é possível encontrar certa uniformidade. Todas são ilustradas com cenas do cotidiano, o que torna a interpretação mais simples e acessível. É fácil relacionar a figura do Ladrão com perdas inesperadas ou tramas que se desenrolam furtivamente, longe das vistas. Pode-se dizer que as sibilas são a versão mais amigável das cartas oraculares, que não exige nenhum tipo de conhecimento específico ou estudos profundos, senão um esforço de imaginação.

Outra semelhança é a correlação com as cartas de cassino. Quase todas as versões trazem gravadas as cartas correspondentes no baralho comum.

O Baralho Lenormand é uma Sibila?
No destaque, as cartas O Cão e A Árvore na versão do Lenormand Blue Owl que inclui os versos relacionados a cada carta

O Tarot é composto de dois grupos de cartas: 1. Os arcanos maiores, compostos por 22 cartas e 2. Os arcanos menores, compostos de 56 cartas divididas em 4 naipes: Copas, Espadas, Paus e Ouros; totalizando 72 cartas. Já o Baralho Lenormand é composto por 36 cartas subdivididas em quatro naipes.

Para um conjunto de cartas oraculares serem reconhecidas como um Tarot é preciso apresentar a simbologia e a estrutura do Tarot. Embora o Baralho Lenormand tenha se popularizado como “Tarot Cigano”, ele constitui sistema oracular diverso. Sua semelhança com as Sibilas são tão profundas que é possível afirmar que Mademoiselle Lenormand criou uma Sibila específica para sua prática cartomântica.

 

Correlação Com As Cartas de Cassino

Qual a relação entre as cartas da Sibila e as cartas de cassino desenhadas em menor destaque? Para uma boa parcela de cartomantes, nenhuma. O significado atribuído às cartas de cassino difere das sibilas, não havendo nenhuma correlação. A indicação serve para situar as cartas em determinado naipe, atribuindo-lhe uma valência. Embora essa explicação faça todo sentido, ao meu ver, a correlação só não é visível quando se toma por base o conjunto dos arcanos menores do Tarot, cuja interpretação difere da cartomancia tradicional.

Versão mais simplificada e popular do baralho de Mlle. Lenormand. No destaque, as cartas de cassino correspondente a cada carta

Há muito tempo, eu tive a oportunidade de consultar uma senhora que praticava a cartomancia tradicional. A experiência foi especialmente marcante porque, na época, eu estava iniciando os estudos dos arcanos menores e a maneira dela “deitar as cartas” e atribuir significado a elas me chamou a atenção por ser completamente diferente do Tarot.

Essa cartomancia remonta o que acredito ser a tradição que baseou as sibilas, sendo essas últimas o que remanesceu dessa Arte. Hoje em dia, é comum encontrar livros que objetivam tratar de cartomancia tradicional e que, na verdade, falam de Tarot.

Nunca é demais frisar que Tarot e Cartomancia Tradicional são tradições diferentes, com simbologias e entendimentos igualmente diferentes.

Leitura de Tarot versus Leitura de Sibila

Uma leitura de tarot permite conhecer as tendências de futuro com base nas circunstâncias presentes, e mudar o que se entende necessário. Em alguns casos, a mudança inclui a necessidade de uma reforma íntima que permita a pessoa escolher com mais consciência e melhor. É nesse ponto que entra o aspecto da autodescoberta e a oportunidade de reflexão.

Ao contrário do Tarot, cujo enfoque é o presente, a Sibila olha para o passado e para o futuro. O presente fica praticamente restrito ao próprio ato da leitura, o que decepciona quem deseja olhar para as possibilidades. Como próprio nome sugere, a Sibila “profetisa”.

Elas respondem qualquer assunto, sem o grau de fatalismo que eventualmente encontrado em outros sistemas, tais como as Runas e os Búzios.

Uma consulta de Sibila é algo leve e divertido, que estimula a conversa e que pode ser surpreendentemente transformativo e esclarecedor.

 


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Obras consultadas

Mazza, Odete Lopes. Baralho Petit Lenormand: introdução às combinações. Ed. Createspace Pub:USA, 2015

Lenormand, Mlle. Sibilla Indovina Oracle Cards (Livreto). Ed. Lo Scarabeo: Torino – Itália, 2007.

Artigos consultados

Abrão, Rafael Faria. Artigo: La Sibylle des Salons e o Grande Lenormand. Site: Clube do Tarot:

www.clubedotarot.com.br/site/h2319/_Sibylle_Lenormand_Rafael.asp

Riemma, Constantino K. Artigo: O Baralho Cigano – Baralho Cigano. Site: Clube do Tarot:

www.clubedotarot.com.br/site/h23_19_lenormand.asp

Site consultado

Sibillinas: uma viagem pessoal pelo mundo das sibilas. Autora: Jamile Pinheiro (www.sibillinas.com.br)

Imagens

Acervo pessoal

Mlle Lenormand White e Blue Owl: Fonte: Pinterest


Sobre a autora

Maeve (Maira Fuzii Louzada) é Facilitadora do Curso de Barras de Access e Practioner da técnica. Master Reiki, Shamballa Multidimensional Healing, Elenari Reiki e Magnified Healing. Terapeuta ThetaHealer com certificado internacional nos cursos DNA Básico, Avançado e Manifestação & Abundância com formação em Psicoterapia Holística e operadora da Mesa Cristalina Metatrônica. Consultora oracular nos sites Iquilibrio e Fortunica e colunista do site O SegredoRealiza atendimentos presenciais em Porto Alegre e à distância através dos sites IquilibrioSagrado & FemininoBlog Taro Fácil . Siga meu perfil nas redes sociais!

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